domingo, 4 de outubro de 2015

O Rapaz de Pijama às Riscas


Este texto baseia-se no livro, mas pode servir de base a uma análise do filme.

As Leis e a (Não-)Discriminação

 “O Rapaz do Pijama às Riscas”, escrito em 2006 por Joyne Boyne e adaptado ao cinema em 2009  por Mark Herman, narra o dia a dia de Bruno, um menino alemão nascido em Berlim a 15 de Abril de 1934, filho de um oficial das Forças Armadas do III Reich. Bruno, aos nove anos, mora em “Acho‐vil” (local que o Autor nos induz a pensar que seria Auschwitz) e interroga‐se sobre o que fazem as pessoas que estão do outro lado da vedação de arame que vê da janela da sua casa. 

Pergunta à irmã mais velha “porque é que puseram a vedação?” e “porque é que não podemos passar para o outro lado? Que mal é que nós fizemos para não podermos ir para aquele lado brincar?” 

A sua incompreensão perante a divisão entre “os judeus” e “os opostos” (grupo ao qual a irmã lhe explica que a sua família pertence) e ódio que os “opostos” têm aos judeus termina com a sua morte. Ao contrário do que sucede no romance  O  Príncipe e o Pobre de Mark Twain , Bruno não troca de identidade com Shmuel, o seu amigo judeu. Bruno veste o pijama de riscas que constitui o uniforme dos judeus no campo de concentração e, seguindo o conselho que lhe fora dado pela avó (“Se usares o traje certo, vais sentir‐te exatamente a pessoa que estás a fingir que és”) finge “ser uma pessoa que vive do outro lado da vedação” e acaba por ser morto, numa câmara de gás, provavelmente em consequência de uma ordem dada pelo seu pai, comandante do campo de concentração.

Para além da questão fundamental de, como relata André Frossard, o século XX ter sido o século em que os Homens mais e melhor se mataram uns aos outros, este livro (e o filme)  toca no cerne do Direito da Igualdade e da Não Discriminação: construímos continuamente ‘vedações’ em torno de grupos de pessoas: porque são mulheres, porque são negras, porque são homossexuais, porque são incultas ou estrangeiras… 

As vedações podem ser mais ou menos rendilhadas, lembrando‐nos os nossos trabalhos tradicionais em ferro forjado: quantas gotas de sangue judeu se tem de ter para se ser juridicamente considerado como Judeu? (...).

Algumas pessoas colocadas num campo protegido por várias vedações. O acesso a bens e serviços é‐lhes extraordinariamente dificultado. Mas, sobretudo, são ofendidas no essencial daquilo que o as leis devem proteger: a sua dignidade de seres humanos. É precisamente isso o que se passa hoje em dia com os refugiados.

As leis  podem contribuir para  acabar com a discriminação, se se basearem nos Direitos Humanos. Se os Estados seguirem o que está estipulado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, deixarão de existir vedações, quer dentro de cada país, quer nas suas fronteiras.

Caso contrário tudo dependerá do olhar de quem decide construir a vedação: podemos querer colocar do outro lado da vedação estrangeiros, os portadores de doença ou de deficiência, os judeus, os ciganos, os pobres … Mas também podemos fazê‐lo em relação aos obesos, aos idosos, aos míopes ou aos calvos! 

No limite, todos seremos discriminados ao longo das nossas vidas e todos sentiremos o frio e a insegurança que Bruno relata quando passa para o outro lado da vedação.  

Só com leis anti‐discriminatórias centrados no respeito pelo outro por ser uma pessoa diferente de todas as outras e a quem a sociedade deve criar condições para que possa desenvolver de forma livre e harmoniosa a sua personalidade, conseguiremos aquilo que aquilo que John Boyne propõe, no fim do livro:  

“Claro que tudo isto aconteceu há muito tempo e nada de parecido poderá voltar a acontecer. Não nos dias de hoje, não na época em que vivemos”.

http://www.fd.unl.pt/anexos/3785.pdf

   1. Comente o último parágrafo do texto tendo em conta o problema dos refugiados abordado na ficha m1.01.
    2. Elabore uma uma reflexão crítica sobre o filme (pode partir da resposta à questão 1).

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O filme baseia no livro de John Boyne com o mesmo título.













O livro existe na BECRE.







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