sábado, 5 de dezembro de 2015

O Antigo Regime

As origens do Antigo Regime estão ainda no final do período Medieval, quando começaram a formar-se Estados Nacionais. Na transição da Idade Média para Idade Moderna, as monarquias que se colocavam no domínio político dos nascentes Estados cooptaram a nobreza para integrar o corpo aristocrático que incluía ainda o clero. Com o estabelecimento do absolutismo se consolidou também o Antigo Regime.

A França é o país que identifica o sistema com mais exatidão, até porque o termo foi cunhado justamente para simbolizar a situação política e social que ocorria na França até a Revolução Francesa. Neste país estruturou-se claramente um sistema que dividia a sociedade em três estados. 

O primeiro deles representava o clero, o qual tinha grande poder na época em função das crenças religiosas que atribuíam à Igreja a capacidade de saber e lidar com tudo.

O segundo estado era representado pela nobreza, que na prática nada fazia de produtivo para a França. Vivia da renda auferida da máxima exploração possível sobre os camponeses e desfrutavam dos luxos proporcionados pela aristocracia francesa. 

Já o terceiro estado representava o grosso da população francesa, incluía os camponeses e os burgueses e era quem pagava os impostos para sustentar a máquina estatal e quem realmente trabalhava para gerar os lucros da nobreza. Acima de todos eles estava a figura absolutista do monarca que comandava todo o sistema.



Com base numa sociedade altamente estratificada, o Antigo Regime possuía as suas características económicas, sociais e políticas. Economicamente, o sistema baseava-se na propriedade de terra, base da economia francesa. Os camponeses eram os trabalhadores na terra, tendo o seu trabalho explorado em prol do sustento da nobreza. 
Socialmente, havia uma grande e rígida divisão do Estado. A maioria da população estava impossibilitada de melhorar as suas condições de vida, não havendo mobilidade social (as pessoas não podiam passar de uma classe para outra, ou seja, não podiam ascender socialmente). E, politicamente, uma monarquia absolutista desfrutava de uma série de privilégios e autoridade considerada divina.

A partir do século XVII, algumas modificações sociais e económicas começaram a ocorrer na Europa Ocidental que fragmentaram o Antigo Regime. Na França, foi principalmente o pensamento iluminista que serviu de base ao questionamento do sistema, propagando novos ideais na população.

O conceito de Antigo Regime, embora muito característico da situação francesa, pode ser aplicado aos vários reinos da Europa Ocidental que formaram Estados Nacionais Absolutistas. O marco da queda do Antigo Regime foi a Revolução Francesa, iniciada em 1789, que derrubou o regime monárquico, acabou com a divisão em estados na sociedade e propagou os ideais democráticos e liberais através do lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A Revolução Francesa determinou a ascensão da burguesia em França, levando o país a uma democracia capitalista que iria desenvolver-se no próximo século.

Fontes:
TOCQUEVILLE, Alexis (1856) L'ancien régime et la Révolution.
http://www.algosobre.com.br/historia/iluminismo-a-critica-ao-antigo-regime.html
http://www.professorreinaldo.com.br/arquivos/antigo_regime.pdf

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